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ISSN :2764-5304

Comandante, o Senhor está no Aeroporto Errado!

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Recentemente, uma aeronave comercial quase pousou no aeroporto equivocado, confundindo a aproximação para Catanduva (SDCD) com São José do Rio Preto (SBSR). Por sorte, os órgãos de controle perceberam a situação a tempo e alertaram o piloto, que interrompeu a aproximação e seguiu para o destino correto. Esse incidente me remete a um artigo que li há alguns anos, intitulado “Oops, aeroporto errado. Mais do que embaraçoso, é perigoso.” Uma forma eficaz de chamar a atenção dos pilotos para esse risco.

No caso em questão, os aeroportos de Catanduva e Rio Preto estão separados por apenas 31 NM (57 Km). Embora as pistas possuam praticamente o mesmo alinhamento (06/24 e 07/25), as semelhanças param por aí. A de Catanduva é bem menos extensa (985 m, em comparação com os 1.640 m de SBSR), aumentando consideravelmente o risco: caso pousasse, a aeronave conseguiria parar nos limites da pista? Além disso, possui apenas 20 m de largura, mais estreita do que o mínimo necessário para um giro de 180º nesse tipo de aeronave. A resistência do pavimento (PCN) também seria excedida, potencialmente causando afundamento das rodas na pista. Adicionalmente, a presença de um aeroclube em Catanduva amplia o perigo de conflitos com outros tráfegos.

Fonte: https://metar-taf.com/

Atualmente, aeronaves modernas contam com equipamentos que auxiliam os pilotos a evitar tais erros. O #RAAS (Runway Awareness and Advisory System), presente nos Dassault Falcon, por exemplo, fornece alertas, em solo e em voo, informando a cabeceira para qual se aproxima e o comprimento disponível quando se tenta um pouso em pista curta. Essa tecnologia surgiu também porque o equívoco de se dirigir para o aeroporto errado é mais frequente do que se imagina.

Fonte: Airbus

Fatos da Aviação.

Em 1998, um Fokker 100 pousou em Guarapari, acreditando estar em Vitória. Em 2011, um Embraer 190 pousou em Timon, no Maranhão, em vez de Teresina, no Piauí.

Fonte: Arquivos Jornal Gazeta

Nos EUA, ao menos em três ocasiões, voos com destino a Rapid City (KRAP) equivocadamente aterrissaram na Base Aérea de Ellsworth (KRCA).

Mais de 100 passageiros da Delta a bordo de um voo com destino a Rapid City, Dakota do Sul, tiveram uma surpresa inesperada na noite de quinta-feira ( 5 de março de 2015), quando seu avião pousou por engano em uma Base da Força Aérea, cerca de oito quilômetros ao norte do alvo pretendido da aeronave.

Fonte: abcnews


Mesmo quando o pouso não se concretiza, os riscos persistem.

Em 7 de julho de 2017, uma aeronave A320 (Air Canada 759) esteve perto de causar o que poderia ter sido o maior acidente aeronáutico da história. Autorizado a pousar na pista 28R de São Francisco, o avião realizou a aproximação para a pista de táxi, onde quatro aeronaves aguardavam para decolar. Na arremetida, a aeronave passou a poucos metros daquelas que se encontravam no solo.


No Brasil, Porto Alegre é uma área suscetível a esse tipo de evento, com os aeroportos Salgado Filho (SBPA) e Canoas (SBCO) próximos e pistas de alinhamento semelhante. Mesmo os pilotos mais familiarizados com a região podem se confundir quando excessivamente confiantes. Entre os Pilotos de Caça, uma paródia de Fio de Cabelo “homenageia” um aviador que solicitou passagem baixa com quatro Xavantes em Canoas, mas que, reza a lenda, acabou por executá-la em Porto Alegre:


“Voltando, com três novinhos e muita experiência,
para ‘Coruja’ logo dei ciência,
que na pista 30, baixo ia passar.
‘Coruja’ mandou acusar quando na final,
mas a Torre PAlegre entrou no canal:
– Sai do Salgado Filho, seu animal!”
(‘Coruja’ é o código de chamada da Torre Canoas)

Para evitar esse tipo de constrangimento (e de perigo), a recomendação mais importante é efetuar, sempre, um procedimento IFR. Isso aumenta a probabilidade do alinhamento correto com a pista de pouso desejada, em vez de uma avenida com boa iluminação ou um aeródromo errado. Estejamos alertas, pois esses equívocos são mais comuns do que imaginamos – e podem acontecer até mesmo com pilotos experientes.

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